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Sessão da ALAP destaca paralelos históricos e culturais entre a Cidade de Goiás e a antiga Santa Luzia

A Academia de Letras e Artes do Planalto (ALAP) realizou, no dia 03 de maio de 2026, mais uma sessão ordinária marcada por reflexões profundas sobre história, identidade e cultura regional. A abertura foi conduzida pelo presidente Eliézer Bispo, que deu as boas-vindas aos acadêmicos e convidados, reforçando a importância da Academia como guardiã da memória e promotora do pensamento crítico no Planalto Central.

O destaque da sessão foi a palestra do acadêmico Fernando Cupertino, titular da cadeira nº 20, com o tema “Paralelos históricos e culturais entre a Cidade de Goiás e a antiga Santa Luzia”.

Em sua exposição, Cupertino traçou um panorama da formação histórica do estado de Goiás, a partir da expansão mineradora do século XVIII, com a atuação de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, em 1726. Destacou a fundação da Cidade de Goiás e de Santa Luzia, em 1746 — atual Luziânia — como núcleos fundamentais do ciclo do ouro.

O palestrante evidenciou que ambas as localidades experimentaram crescimento desordenado, estruturado em uma sociedade hierarquizada e sustentada pela exploração da mão de obra de pessoas escravizadas. Nesse contexto, a religiosidade teve papel central como mecanismo de coesão social e organização comunitária.

Ao estabelecer os paralelos, Cupertino destacou que, com o fim do período aurífero, tanto a Cidade de Goiás quanto Santa Luzia passaram por processos de decadência ou readaptação. No entanto, os caminhos adotados por cada uma revelam diferenças significativas: enquanto a Cidade de Goiás consolidou políticas de preservação patrimonial, Santa Luzia enfrentou transformações mais intensas, especialmente com a construção de Brasília.

A palestra também abordou a formação cultural brasileira a partir dessas experiências históricas, ressaltando o espaço como suporte da memória coletiva. Nesse sentido, trouxe registros do naturalista Auguste de Saint-Hilaire, que esteve em Santa Luzia e descreveu aspectos da natureza, dos costumes e da economia local, como a produção da marmelada — tradição herdada dos costumes lusitanos.

Outro ponto destacado foi o papel das elites dominantes, que estruturavam a sociedade por meio de alianças matrimoniais e controle econômico. Cupertino também mencionou o impacto da construção de Goiânia, nos anos 1930, e de Brasília, que alteraram profundamente a centralidade política e cultural da região.

No campo cultural, destacou o nascimento, em 1889, da poetisa Cora Coralina, símbolo da identidade da Cidade de Goiás, e ressaltou a importância das manifestações culturais de Luziânia na construção de sua própria narrativa histórica.

A análise incluiu ainda referências a estudiosos como Gelmires Reis, Dilermando Meireles e Paulo Bertran, reforçando o valor político e cultural de Luziânia no contexto do Planalto Central. Ao comparar as duas cidades, Cupertino enfatizou que a memória é um processo coletivo e que preservar o passado vai além da conservação de edificações, exigindo uma compreensão plural e inclusiva da história. Nesse sentido, sugeriu a possibilidade de reconhecimento internacional por meio da UNESCO.

Após a palestra, o presidente Eliézer Bispo elogiou a profundidade da exposição, ressaltando sua relevância para o fortalecimento da consciência cultural. Diversos acadêmicos contribuíram com reflexões.

O acadêmico Graça Veloso abordou a virada histórica do início do século XX e o impacto do urbanismo modernista, mencionando o Congresso Internacional de Arquitetura Moderna e o contraste com cidades como Ouro Preto, apontando que Luziânia foi, em certa medida, vítima desse discurso.

Jarbas Marques defendeu que a palestra seja publicada na Revista da ALAP, destacando o paralelo entre Cidade de Goiás e Santa Luzia. Recordou ainda a correspondência de Cora Coralina com Monteiro Lobato, em 1919, e mencionou o artista Veiga Vale como símbolo de orgulho cultural.

O acadêmico Wilter Campos Coelho levantou um questionamento central: por que a Cidade de Goiás conseguiu preservar seu patrimônio enquanto Luziânia não? Para ele, a construção de Brasília impulsionou um desejo de ruptura com o passado, exigindo hoje uma ampliação do olhar cultural.

Dr Orlando Pinheiro, titular da cadeira 26, destacou a riqueza da região e alertou para a perda gradual de suas virtudes culturais. Na mesma linha, o acadêmico Arley da Cruz elogiou a palestra e sugeriu ações concretas, como a realização de serenatas em celebração ao cinquentenário da ALAP e a emissão de nota de pesar pelo falecimento do confrade Lécio Resende da Silva. Também propôs o envio de correspondência à Academia Brasileira de Letras pela posse do escritor Milton Hatoum, vencedor do Prêmio Jabuti de 2025 pela obra Relato de um certo oriente.

A acadêmica Janaína refletiu sobre sua relação pessoal com a história de Luziânia, enquanto Elísio Morais destacou a importância da região centro-leste como origem cultural, apontando fragilidades no processo histórico de construção identitária.

Os acadêmicos Nei Brito e José Alfio enfatizaram o valor da memória coletiva, com menção à produção artística local, como o trabalho de DJ Oliveira. O vice-presidente Cairo Resende relembrou encontro com Juscelino Kubitschek, destacando a grandiosidade da construção de Brasília e defendendo que a palestra acenda um “fogaréu” em defesa da cultura.

O acadêmico Cecílio Teixeira abordou o impacto de Brasília sobre Luziânia e citou o padre Antônio Joaquim de Araújo Melo, além de destacar a obra Recordar Luziânia como fonte de კვლ pesquisa. Tiago Machado trouxe contribuições voltadas à educação, sugerindo parceria com o PARFOR para estágios na biblioteca da ALAP e apresentou proposta de hino para o cinquentenário da instituição.

Encerrando as manifestações, Shirlan Braz acadêmica e secretária da ALAP,  reforçou a relevância da palestra, enquanto o próprio Fernando Cupertino destacou que a Cidade de Goiás superou períodos de ostracismo por meio da criação de instituições voltadas à preservação patrimonial e à educação.

Ao final, o presidente Eliézer Bispo encerrou a sessão com uma reflexão sobre a situação do casarão histórico que abriga a sede da ALAP e reforçou o convite para a próxima reunião, prevista para o mês de junho.

A sessão reafirmou o papel da ALAP como espaço de diálogo, memória e construção coletiva.

Reportagem Arley da Cruz

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